9 comportamentos que você acha normais no trabalho, mas que podem ser sinais de ansiedade
No ambiente de trabalho atual, a pressa, o perfeccionismo e a necessidade de estar sempre disponível muitas vezes são vistos como sinônimos de dedicação e alta performance.
Bianca Daciuk
6/2/20263 min read
A verdade é que muitos hábitos que normalizamos na nossa rotina corporativa não passam de disfarces para uma ansiedade silenciosa. Quando estamos constantemente em estado de alerta, nosso comportamento muda para tentar antecipar perigos e garantir um controle que, no fundo, é ilusório.
Se você quer entender se a sua dedicação cruzou a linha saudável, veja estes 9 sinais que costumam passar batidos no dia a dia:
1. Almoçar trabalhando (ou pular o almoço)
A abrir mão do horário de descanso para responder e-mails ou comer com os olhos fixos na tela do computador para "terminar logo algo" não é eficiência. É o medo inconsciente de que uma urgência apareça enquanto você está longe e você não esteja lá para controlar a situação imediatamente.
2. O vício de checar notificações
Ficar atualizando a caixa de entrada do e-mail ou os canais de comunicação interna a cada cinco minutos. O motor por trás desse hábito é a necessidade de nunca ser pega desprevenida. Você sente que, se souber de tudo primeiro, estará segura.
3. Hiperperfeccionismo em tarefas simples
Revisar um relatório simples, um e-mail curto ou uma planilha dezenas de vezes antes de enviar. Você gasta um tempo precioso nisso porque a ideia de que alguém possa apontar um erro — por menor que seja — gera um desconforto insuportável.
4. Rastrear o humor do chefe
Tornar-se uma especialista em ler expressões faciais, o tom de voz ou a velocidade das respostas do seu gestor. Essa hipervigilância serve para tentar prever se ele está em um dia bom ou ruim e, a partir disso, tentar se blindar de qualquer feedback negativo ou conflito.
5. Brancos frequentes na memória
Abrir uma nova aba no navegador e esquecer completamente o que ia fazer ali. Quando a sua memória de trabalho está sobrecarregada pelo excesso de estímulos, pela falta de pausas e pelo hábito de tentar fazer tudo ao mesmo tempo (multitasking), o cérebro simplesmente começa a falhar no básico.
6. Começar tudo e não terminar nada
Iniciar diversas atividades ao mesmo tempo e ver o dia acabar sem conseguir concluir nenhuma. Isso acontece quando você apoia todo o seu valor pessoal na quantidade de entregas e, no desespero de produzir, acaba soterrada pelas próprias demandas.
7. Sobrecarga compensatória após um erro
Trabalhar o dobro do horário, assumir tarefas extras ou aceitar prazos impossíveis logo após cometer um deslize. É a sensação de que, por causa de um único erro, a sua credibilidade foi totalmente zerada e agora você precisa "comprar" o seu valor de volta.
8. Revisar o que já foi aprovado
Entrar na pasta de arquivos ou no histórico de e-mails para conferir algo que você já entregou e que, inclusive, já recebeu o aval da equipe ou do cliente. O desejo de garantir que está tudo bem, mesmo quando o processo já foi encerrado, é pura insegurança ligada à ansiedade.
9. Pedir desculpas por existir
Dizer "desculpa" ou se justificar excessivamente antes de fazer uma pergunta, discordar de um ponto de vista em uma reunião ou mandar uma mensagem necessária. O receio crônico de ser vista como um incômodo ou de que pensem algo ruim sobre você faz com que você sinta que precisa pedir permissão para ocupar o seu espaço.
Onde está o seu limite?
Se você se identificou com vários desses tópicos, o objetivo não é se julgar ou se cobrar ainda mais. O primeiro passo é o acolhimento: reconhecer que esses comportamentos são defesas que a sua mente criou para lidar com um ambiente ou com uma cobrança interna que estão pesados demais.
Mudar esses padrões exige paciência e o entendimento de que o seu valor como profissional — e como pessoa — não muda quando você fecha o computador no horário do almoço ou quando comete um erro humano. Que tal começar escolhendo apenas um desses hábitos para começar a flexibilizar esta semana?